EXCESSO DE PESO, INIMIGO DA SAÚDE

Obesidade em cães e gatosEXCESSO DE PESO, INIMIGO DA SAÚDE

A obesidade é uma das doenças mais frequentes na prática clínica veterinária. Sabia que inúmeros estudos indicam que aproximadamente um em cada dois gatos ou cães tem excesso de peso ou obesidade e que isto tem efeitos negativos muito importantes na saúde deles?

De facto, a obesidade:

  • Aumenta a incidência de outras doenças, tais como a diabetes mellitus nos gatos e osteoartrite nos cães.
  • Diminui a esperança de vida do animal.
  • Diminui a qualidade de vida.

Apesar de ser uma das doenças mais fáceis de diagnosticar e tratar mediante a redução da ingestão de calorias e o aumento do gasto energético, paradoxalmente, a obesidade é um verdadeiro desafio para os profissionais da saúde animal, devido ao nosso comportamento como tutores de animais de estimação.

TUDO COMEÇA COM A ATITUDE DO TUTOR

Em norma, a obesidade aparece quando o gato e o cão estão sobrealimentados, como consequência dos maus hábitos alimentares que lhes proporcionamos e que começam um ciclo vicioso:

  1. Dá alimentos como prémio ainda que note o aumento de peso.
  2. O animal de estimação desfruta destes prémios e come em excesso.
  3. Acha que a resposta do seu animal de estimação é uma amostra de carinho e oferece-lhe mais alimento como prémio.
  4. O animal de estimação vê reforçado o hábito de pedir comida.
  5. Com o aumento de peso, faz menos exercício porque lhe custa mais mover-se e porque se cansa mais e ganha ainda mais peso.
Imagen Círculo Vicioso Obesidade

A SOLUÇÃO? QUEBRAR O CICLO VICIOSO

A única maneira de resolver este problema é quebrar o ciclo de solicitar comida e comer demais, tendo em conta o que lhe diz o médico veterinário, que se vai focar em três pontos fundamentais:

  1. Que você conheça os riscos da obesidade (associada a outras doenças graves) e os benefícios da perda de peso (aumenta a esperança de vida do seu animal de estimação, assim como a sua qualidade de vida global).
  2. Que se leve a cabo um programa de perda de peso com uma dieta especialmente formulada para este fim, para que o seu animal consiga perder peso de forma gradual e saudável, ao mesmo tempo que, ao promover a sensação de saciedade controlamos o típico comportamento de solicitação de alimento.
  3. Que realize um acompanhamento periódico com o médico veterinário, para que ele possa ajustar o doseamento de alimento, caso seja necessário. Isto também significa um reforço positivo para si, pois como tutor vai poder comprovar os resultados do seu esforço.

ROYAL CANIN, O SEGREDO PARA VENCER A LUTA CONTRA A OBESIDADE

Os produtos Satiety da Royal Canin foram especialmente formulados para conseguir alcançar uma perda de peso segura e efetiva nos gatos e nos cães reforçando a saciedade. Esta gama proporciona uma dieta de perda de peso muito palatável, nutritiva e equilibrada, que conta com 5 benefícios chave, cientificamente comprovados:

  • Favorece uma perda de peso efetiva, gradual e saudável.
  • Diminui o comportamento de solicitação de alimento.
  • Ajuda a manter a massa muscular.
  • Contribui para a melhoraria da qualidade de vida.
  • Ajuda a estabilizar o peso e manter a condição física ideal no longo prazo.

ESTÁ NAS SUAS MÃOS

Se desejar que a obesidade do seu gato e/ou cão seja uma coisa do passado deve ser perseverante e seguir as indicações do seu médico veterinário, quede certeza lhe vai recomendar que adapte a alimentação do seu animal de estimação.

Imagem resultados programa perda do peso
Hipertiroidismo - diagnóstico e tratamento

Hipertiroidismo Felino – diagnóstico e tratamento

DiagnósticoHipertiroidismo - diagnóstico e tratamento

A avaliação dos sintomas descritos e um exame físico completo, são os primeiros passos para a avaliação do estado de saúde do seu gato. Muitas vezes, durante o exame físico é possível palpar uma glândula tiroide aumentada típica de hipertiroidismo.

O diagnóstico de hipertiroidismo é feito através de análises laboratoriais que avaliam a concentração da hormona tiroideia na corrente sanguínea. Devido ao excesso de produção de hormona tiroideia, em mais de 90% das situações é possível alcançar um diagnóstico preciso.

A maioria dos gatos com hipertiroidismo apresenta níveis elevados da hormona tiroideia na corrente sanguínea. Contudo, uma pequena percentagem de gatos com hipertiroidismo pode apresentar valores normais.

Em caso de suspeita forte de hipertiroidismo, e na ausência de valores aumentados da hormona tiroideia, o seu Médico Veterinário poderá recomendar testes adicionais.

Devido ao papel da glândula tiróide no organismo, alguns gatos com hipertiroidismo poderão desenvolver doença cardíaca e hipertensão. Desta forma, o seu Médico Veterinário poderá aconselhar que seja feita alguma investigação para despiste destas condições. Eventualmente poderão ser necessárias terapêuticas adicionais para controlar doenças secundárias.

Tratamento

O hipertiroidismo é uma condição tratável e, dependendo do tratamento realizado, pode ser curável.

As opções de tratamento para o hipertiroidismo incluem o recurso a medicação, terapia com iodo radioactivo, cirurgia ou recurso a uma dieta terapêutica. A escolha do tipo de tratamento não é simples. Todas as opções de tratamento têm as suas vantagens e desvantagens. A escolha requer a consideração de algumas particularidades como a saúde geral do paciente, as características dos procedimentos terapêuticos, a capacidade e disponibilidade do tutor administrar regularmente medicação e exige também algumas considerações financeiras.

Medicação

A administração de medicação anti-tiroideia é possivelmente uma das terapêuticas mais comuns no maneio do hipertiroidismo. A medicação actua através da redução da produção e libertação de hormona tiroideia a partir da glândula tiróide.

A administração da medicação anti-tiroidiea não promove a cura do hipertiroidismo. No entanto permite um bom controlo da doença e dos sinais clínicos a curto e a longo-prazo. Geralmente são obtidas boas taxas de resposta à medicação, com a facilidade de se poder medicar os pacientes sem necessidade de hospitalização.

O recurso à medicação anti-tiroideia advém sobretudo da facilidade em obter a medicação e do seu, geralmente, custo acessível. Contudo, o tratamento com medicação implica a sua administração diária, durante toda a vida do paciente.

Existem diferentes formulações, desde comprimidos a soluções orais. Dada a natureza dos felinos e das muitas dificuldades dos tutores em administrar comprimidos, as soluções orais poderão ser mais convenientes e permitir melhor compliance terapêutica.

Independentemente do tipo medicação utilizada, é necessário manter um controlo rigoroso dos níveis da hormona tiroideia durante o tratamento. Este controlo exige assim visitas regulares ao Médico Veterinário.

Terapia com iodo radioactivo

Quando se encontra disponível, a terapia com iodo radioactivo é o tratamento de eleição para gatos com hipertiroidismo. A administração de iodo radioactivo, destrói as células anormais da glândula tiróide, sem danificar os tecidos envolventes. Na maioria das vezes, trata-se de uma única administração e a maioria dos gatos tratados com iodo radioactivo atinge valores normais de hormona tiroideia após uma ou duas semanas do tratamento.

Esta modalidade de tratamento permite curar o hipertiroidismo felino, e geralmente não acarreta efeitos secundários graves nem necessita de anestesia. Envolve, contudo, o manuseamento e administração de um composto radioactivo e por isso apenas é permitida em instalações licenciadas para o efeito.

Infelizmente, até ao momento esta terapêutica não se encontra disponível em Portugal.

Animais tratados com iodo radioactivo têm de permanecer hospitalizados até que os níveis de radiação atinjam valores seguros. Geralmente, implica que o gato seja hospitalizado entre três a cinco dias, contudo o período poderá ser maior.

Cirurgia

A remoção cirúrgica das glândulas tiróides, denominada tiroidectomia, é uma cirurgia relativamente acessível e com boas taxas de sucesso. A cirurgia permite uma cura, na maioria dos casos, permanente, evitando assim a necessidade de medicação a longo prazo.

Dado tratar-se de um procedimento cirúrgico, requer hospitalização e uma anestesia geral. Por este motivo pode não ser favorável em pacientes idosos, com doenças cardíacas, renais, ou outras que possam apresentar um risco anestésico.

Nestes casos, a ou terapia com iodo radioactivo são tão eficazes no tratamento do hipertiroidismo como a cirurgia. Estas alternativas têm a vantagem de serem terapêuticas menos invasivas.

Dieta terapêutica

Existe também uma dieta especificamente formulada para gatos com hipertiroidismo, baseada numa restrição de iodo. A dieta poderá ser útil em gatos exclusivamente de interior e únicos na habitação. Este tipo de dieta estabiliza os níveis da hormona tiroideia antes de uma intervenção cirúrgica. Por outro lado, podem se útil quando os gatos apresentam outras condições que tornam outras terapêuticas impossíveis.

No entanto, a restrição em iodo como terapêutica a longo prazo é algo controversa pelos possíveis efeitos da restrição dietética em iodo na saúde geral.

O Hipertiroidismo nos gatos

Hipertiroidismo Felino: Causas e Sinais

O que é o Hipertiroidismo Felino?

O Hipertiroidismo é a doença endócrina mais frequente nos gatos e, como o nome indica, afeta a glândula Tiroide.O Hipertiroidismo nos gatos

A Tiroide é composta por duas pequenas glândulas localizadas (uma de cada lado) na zona mais craneal da traqueia. A tiroide é responsável pela produção das hormonas tiroideas, que interferem em muitas das funções do organismo. O controlo do metabolismo, constitui uma das mais importantes.

De uma forma muito simplista, a tiroide é de extrema importância para o correto funcionamento da maioria dos órgãos do corpo. Nos animais com hipertiroidismo existe um excesso de hormonas tiroideas em circulação.

Quais são as causas principais do Hipertiroidismo felino?

Esta patologia surge normalmente devido a um aumento do volume da Tiroide (habitualmente o aumento é bilateral e afeta ambas as glândulas). Este aumento deve-se quase sempre a um tumor benigno (Adenoma), sendo muito raros (menos de 2%) os casos em que existe um tumor maligno (Carcinoma).

Atualmente não se conhece a causa exata do aparecimento deste tipo de tumores benignos. Contudo, pensa-se que alguns fatores possam contribuir, como são o caso de:

  • exposição continuada a substâncias tóxicas para a tiroide, quer ambientais (ex.: poluição; constituintes de algumas areias para gatos; tóxicos vários), quer alimentares (excesso ou deficiência de compostos presentes em alimentação comercial enlatada, bem como substâncias tóxicas)
  • alterações genéticas
  • fatores imunológicos
  • idade mais avançada

Porque ouvimos falar mais de hipertiroidismo hoje em dia?

Apesar de não haver uma causa concreta de hipertiroidismo, sabemos que há fatores que são decisivos para o seu aparecimento. Quanto mais tempo os animais forem expostos a esses riscos, maior a probabilidade de virem a desenvolver esta patologia. O aumento esperança de vida dos felinos é a principal razão pela qual o hipertiroidismo é mais diagnosticado nos dias de hoje. Ou seja, ao viverem durante mais anos, sofrem maior exposição a condições de risco. Vivem mais anos, havendo possibilidade de haver alterações significativas ao nível da tiroide, surgindo doença clínica.

O hipertiroidismo pode surgir tanto em machos como em fêmeas, não havendo preferência de raça. Contudo, afeta principalmente gatos de meia idade ou idosos. A idade média do aparecimento dos primeiros sintomas é 12-13 anos, sendo invulgar em gatos com menos de 10 anos.

Com o evoluir da medicina Veterinária e a crescente preocupação dos tutores com a saúde e bem-estar dos seus gatos, o diagnóstico de hipertiroidismo é mais frequente  (bem como o de outras doenças).

Quais os sinais que apresenta um gato com hipertiroidismo?

Como em qualquer patologia, é fundamental compreender as alterações que ocorrem num animal. Ao entender-se o que não funciona corretamente é mais fácil compreender os sintomas que surgem. Uma vez que o hipertiroidismo ocorre principalmente em gatos geriátricos, pode haver também, simultaneamente outras patologias presentes. Isto pode complicar o diagnóstico desta doença hormonal.

As hormonas tiroideias são fundamentais para o funcionamento de quase todos órgãos, e essenciais no controlo do metabolismo basal corporal. Por este motivo, ao existir um aumento destas hormonas em circulação, haverá um aumento do metabolismo basal, com aumento de consumo rápido de energia. Inicialmente os sintomas são subtis e ligeiros (comuns a muitas patologias felinas), agravando-se à medida que a doença evolui.

Inicialmente observam-se os seguintes sintomas:
  • perda de peso (muito ligado com o aumento do metabolismo basal) com perda de massa muscular
  • aumento do apetite
  • hiperatividade
  • aumento da ingestão de água, e por sua vez da produção de urina (fazem mais xixi)
  • pelagem sem brilho e com mau aspeto
  • aumento da tiroide (glândulas palpáveis e aumentadas)
  • alterações à auscultação cardíaca (aumento da frequência cardíaca, sopros cardíacos, arritmias- Ritmo de galope audível à auscultação)
Com a evolução da doença, surgem também:
  • vómitos
  • diarreia
  • doença respiratória (dificuldade respiratória, frequência respiratória aumentada, espirros e tosse)
  • alterações de comportamento (agressividade; incapacidade em descansar)
  • convulsões
  • doenças concomitantes podem surgir, uma vez que o hipertiroidismo pode predispor os gatos a outras patologias, como:

– Doenças cardíacas (Hipertensão, Insuficiência cardíaca crónica, Cardiomiopatia tireotóxica)

– Doença Renal

– Diabetes (em gatos com hipertiroidismo, é mais difícil controlar convenientemente a diabetes)

– Má absorção gastrointestinal (hipertiroidismo, pode levar a aumento da motilidade intestinal, dificultando a absorção correta dos nutrientes, assim como ao aparecimento de vómitos e diarreia)

Os sintomas são vários e inespecíficos, pelo que o correto diagnóstico, bem como o diferenciar de outras patologias, são fundamentais. O médico veterinário assistente deve ser sempre consultado quando se observam alterações no gato.

O hipertiroidismo é uma doença grave. Se não tratada, é normalmente fatal devido às alterações graves que causa em múltiplos órgãos vitais.

Leucemia felina

Leucemia felina – cuidados com o gato FeLV-positivo e como prevenir a doença

Infelizmente, ainda não existem tratamentos capazes de curar a Leucemia Felina (FeLV). Por isso, ter um gato com Leucemia Felina pode ser um desafio. Contudo, tomando os devidos cuidados em casa e com o devido aconselhamento e acompanhamento médico-veterinário, é possível garantir uma boa qualidade de vida a gatos FeLV-positivo.

Leucemia felina

Desta forma, a confirmação que um gato é FeLV-positivo, por si só, não deve ser motivo para considerar a eutanásia.

Considerações ambientais

Uma consideração importante no maneio de gatos com Leucemia Felina é a gestão do espaço e interacção com outros gatos. Uma vez confirmado que um gato tem Leucemia, o acesso deste ao exterior deve ser totalmente restringido e, se possível, que seja o único gato em casa.

A restrição do acesso ao exterior previne que outros gatos possam ser infectados. Esta medida reduz os comportamentos de risco que aumentam a exposição ao vírus. Além disso, também reduz potenciais infecções secundárias para o gato FeLV-positivo.

Quando há mais do que um gato em casa, todos os gatos devem ser testados para Leucemia.

Dentro de casa, a separação entre gatos FeLV-positivo e gatos FeLV-negativo deve ser considerada. Tendo em conta as propriedades do agente infeccioso e as suas formas de contágio, esta medida reduz a possibilidade de infecção e de gatos não infectados e é uma das formas de prevenção.

A introdução de novos gatos está desaconselhada, uma vez que isso pode provocar alterações na estrutura social. Estas alterações podem desencadear comportamentos de risco, como lutas e mordeduras.

Gatos inteiros FeLV-positivo, devem ser castrados. A castração evita comportamentos de risco de exposição e transmissão do vírus como fugas, lutas e estilos de vida errantes.

Nas habitações com mais de um gato, as zonas de alimentação devem estar separadas, com comedouros e bebedouros individuais, para animais infectados e não infectados. A passagem ou troca de objectos entre as mesmas deve ser evitada.

O vírus não sobrevive por muito tempo no meio ambiente sendo facilmente inactivado por detergentes e desinfectantes. Assim, a higiene das caixas de areia e de outros objectos com que os gatos contactam, pode ajudar a diminuir a carga viral.

Infelizmente, nem sempre é possível isolar gatos FeLV-positivo de gatos FeLV-negativo. Nestes casos, é recomendada a vacinação dos gatos não infectados.

Considerações na saúde de gatos FeLV-positivo

Como resultado de um sistema imunitário comprometido, os gatos FeLV-positivo podem ser particularmente vulneráveis a outras doenças.

Desta forma, é importante que os tutores saibam reconhecer alguns dos sinais mais comuns indicativos de doença em desenvolvimento:

  • Alterações no consumo de água e alimento
  • Eliminação (micção e defecação) inadequada
  • Alterações nos níveis de actividade
  • Alterações nos hábitos de dormir
  • Perda de peso
  • Alterações na vocalização
  • Stress

Gatos FeLV-positivo que não demonstrem sinais clínicos de doença devem manter um contacto próximo com o Médico Veterinário e fazer exames físicos completos e regulares. A avaliação de parâmetros sanguíneos e bioquímicos deve ser realizada, no mínimo, uma vez por ano.

Os tutores devem também ter particular atenção com a alimentação dos seus gatos. A alimentação de gatos com Leucemia Felina deve ser equilibrada, com proteína de boa qualidade, poucos hidratos de carbono e moderada em gorduras e no teor de humidade. As dietas cruas são desaconselhadas em gatos FeLV-positivo, pelo risco de exposição dos gatos a doenças bacterianas e parasitárias associadas a este tipo de dieta.

Apesar de se aconselhar a restrição total do acesso à rua, a vacinação de gatos FeLV-positivo contra outras doenças deve ser mantida. Da mesma forma, o controlo antiparasitário deve ser realizado com a devida frequência.

Nos gatos FeLV-positivo que demonstrem sinais de doença, a intervenção terapêutica precoce é a chave para o sucesso terapêutico. A maioria dos gatos FeLV-positivo consegue responder eficazmente aos tratamentos. Contudo, estes gatos poderão necessitar de planos de tratamentos mais longos e agressivos, sob monitorização rigorosa, até à sua recuperação.

Prevenção da infecção e vacinação

Existem diversas vacinas disponíveis para protecção contra FeLV, no entanto nenhuma garante protecção a 100%. Apesar de não impedir uma possível infecção, a vacinação de gatos saudáveis aumenta a probabilidade de neutralizar a infecção. Sempre que possível, devem ser administradas vacinas sem adjuvantes, de forma a minimizar a inflamação local resultante da inoculação.

Não existe qualquer benefício em vacinar gatos contra Leucemia Felina quando estes já são FeLV-positivo. É, por isso, importante testar os gatos de forma a identificar e isolar os que apresentam virémia.

Devem ser testados:

  • Todos os gatos, antes de serem introduzidos num ambiente doméstico;
  • Gatos de interior com acesso ao exterior ou que partilhem casa com gatos com acesso ao exterior;
  • Gatos que partilhem ambientes com gatos FeLV-positivo, sobretudo se manifestarem sinais de doença;
  • Gatos de interior que possam ter sido expostos a outros gatos com estado incerto de FeLV

A decisão de vacinar os gatos para Leucemia deve ser baseada numa análise de risco de infecção e do estilo de vida de cada gato.

Quando a vacinação é considerada apropriada, são necessárias duas administrações da vacina. A primeira dose é administrada a partir das 8 semanas de idade e a segunda cerca de 3-4 semanas depois. As novas indicações de vacinação consideram que um reforço pode ser realizado entre os 6 e os 12 meses após a última vacinação, e posteriormente a vacina poderá ser repetida na eventualidade de se manter o risco de exposição a FeLV.

Por norma, considera-se importante a vacinação de gatos que tenham acesso ao exterior ou que partilhem habitação com gatos com acesso ao exterior, gatos que habitem com mais do que um gato (sem testes prévios de FeLV) e de gatos que vivam com gatos FeLV-positivo.

A Leucemia Felina (FeLV) - O que é e como se transmite

A Leucemia Felina (FeLV) – O que é e como se transmite

A Leucemia Felina (FeLV) é, de entre todas as doenças infeciosas que podem afectar os gatos, a mais comum em todo o mundo.

Leucemia é um termo conhecido de quase todos como sendo uma doença oncológica do ser humano. Por isso, é importante esclarecer que quando falamos de Leucemia felina estamos a falar de uma doença causada por um vírus que afecta felinos, e não de uma doença oncológica /tumoral.

O que é o FeLV?

O vírus da Leucemia Felina é um Retrovírus, que SÓ infeta felinos.

A principal forma de contágio é através do contato prolongado com secreções de gatos infetados, tais como:

  • saliva
  • sangue
  • secreções nasais
  • urina
  • fezes
  • leite materno

As formas mais habituais de contágio ocorrem através de mordedura, lavagem mútua entre gatos e partilha continuada e simultânea de comedouros.

Como este vírus não sobrevive com facilidade no ambiente, a transmissão através de fezes, urina, aerossóis ou o contato com objectos que tenham sido contaminados com secreções de gatos infetados não é tão eficaz.

A transmissão de mãe para filhos pode ocorrer quer através da placenta, quer através da amamentação. O contágio também pode ocorrer por transmissão sexual, embora seja menos comum.

Grupos de Risco

Portanto, os animais em maior risco de serem infetados são aqueles expostos a gatos infetados quer por contato direto e prolongado, quer através de dentadas durante lutas.

Gatinhos e animais jovens são mais sensíveis ao vírus, por isso, a doença é mais usual em gatos entre 1-6 anos. Gatos machos que tenham acesso ao exterior de forma não supervisionada também correm maior risco.

Gatinhos infetados dentro do útero, que sobrevivam ao parto, normalmente demonstram um desenvolvimento muito rápido da doença.

Como surgem os primeiros sinais de Leucemia Felina (FeLV)?

De forma simplificada, ao infetar um gato, o vírus do FeLV inicia a sua multiplicação na zona da boca e faringe e dissemina-se por todo o corpo do animal até atingir a medula óssea.

Os glóbulos brancos e plaquetas, produzidos e libertados na corrente sanguínea, “transportam” o vírus por todo o corpo até este chegar às diferentes glândulas corporais. As glândulas salivares são exemplo disso e este processo dura, no mínimo, cerca de um mês.

Os efeitos adversos no corpo do gato podem ser vários. Normalmente surgem estados de deficiência imunitária grave (perda das defesas naturais contra infeções), doenças oncológicas (p.ex. linfoma) e alterações sanguíneas.

Ao ficarem com o sistema imunitário debilitado, os gatos infetados não reagem eficazmente a outras infeções. Por este motivo, bactérias, fungos e outros vírus podem causar doenças severas por infeção secundária.

Em estados iniciais, os gatos infetados não demonstram qualquer tipo de sintoma. Porém, à medida que o tempo vai passando, a saúde deteriora-se e surgem sintomas devido a infeções secundárias ou desenvolvimento de problemas tumorais.

Sinais clínicos

Os sinais são normalmente inespecíficos, sendo os mais usuais:

  • anorexia (perda de apetite)
  • perda de peso
  • depressão
  • aumento dos gânglios linfáticos
  • pelagem com mau aspeto
  • anemia
  • sintomatologia digestiva (vómitos, diarreia persistente, que usualmente estão mais relacionadas com linfoma digestivo)
  • feridas na boca
  • feridas nos olhos
  • sintomas respiratórios (rinite, dificuldade respiratória e derrame pleural, maioritariamente relacionado com linfoma do mediastino)
  • icterícia – coloração amarelada na pele, esclera e mucosas (relacionada com destruição de glóbulos vermelhos ou patologia hepática)
  • sintomas neurológicos (perda de equilíbrio, incoordenação motora, convulsões)
  • Insuficiência renal (associado a linfoma renal ou glomerulonefrite)
  • nas fêmeas podem verificar-se abortos ou nascimento de gatinhos já mortos e problemas de fertilidade
  • febre persistente

Os gatos com FeLV podem apresentar apenas alguns destes sintomas ou até nenhum. A presença ou não de sintomas, deve-se ao facto de os gatos poderem reagir de diferentes formas.

Formas da doença

  • em casos raros o sistema imunitário do gato consegue eliminar o vírus (não havendo progressão da doença);
  • uma pequena percentagem de gatos consegue eliminar o vírus da sua corrente sanguínea, mas não do seu corpo. São animais que enquanto se mantenham neste estado normalmente não mostram sinais de doença. Contudo, pode ocorrer “ativação” do vírus novamente, passando a apresentar sintomatologia e a poder infetar outros gatos;
  • maioria mostra quadros progressivos da doença e pode infetar outros gatos, pois apresentam o vírus em circulação sanguínea permanentemente (animais virémicos). Nestes casos, surgem sintomas e a doença vai evoluindo continuamente.

Diagnóstico

O diagnóstico de FeLV faz-se através de testes sanguíneos que detetam a presença de uma proteína do vírus. Podem ser realizados na clínica, através de um teste rápido, ou em laboratório.

Consoante a sintomatologia do paciente, devem realizar-se exames auxiliares de diagnóstico para diagnóstico de infeções secundárias ou processos oncológicos:

  • Análises bioquímicas e hemograma
  • Radiografia
  • Ecografia
  • Citologia ou biópsia de: massas, gânglios aumentados ou medula óssea

Tratamento e Prognóstico

Infelizmente, não existe ainda nenhum tratamento eficaz capaz de eliminar completamente o vírus da Leucemia Felina.

O recurso a medicamentos antivirais e a terapêuticas que estimulam o sistema imunitário tem sido descrito e usado. No entanto, existem efeitos secundários e as melhorias clínicas não são muito significativas.

Assim, muitos Gatos FeLV-positivo vivem sem grandes complicações durante alguns anos. Sobretudo, deve ter-se especial atenção com os cuidados profiláticos e o bom maneio alimentar e ambiental (mantendo níveis de stress reduzidos). O mais importante é evitar infeções secundárias, mantendo os animais infetados em casa, sem contato com o exterior ou com outros gatos (evitando que apanhem infeções secundárias e impedindo a disseminação do FeLV a outros gatos).

A Leucemia Felina é, sobretudo, uma doença progressiva e mortal. Como resultado, a esperança de vida varia entre 2 a 3 anos, após o diagnóstico. A progressão desta patologia é muito mais rápida em gatinhos.

Acima de tudo, pela gravidade e agressividade desta patologia, é recomendado que se procedam a medidas preventivas como a vacinação. Fale com um Médico Veterinário para saber como pode proteger o seu gato desta doença fatal.

SE SE COÇA… ATUE

Em determinados momentos é complicado detetar com precisão qual é o motivo que leva o seu cão a coçar-se tanto. Isto pode estar relacionado com várias causas e o seu veterinário tem conhecimento de todas. Consulte-o perante qualquer suspeita!

Consulte um especialista se o seu cão manifesta alguma das seguintes afeções:

  • Pele seca, avermelhada ou escamada.
  • Se se lambe e/ou se coça muito (corpo, ouvidos, olhos, nas almofadas das patas, etc).
  • Vomita e/ou tem diarreia.

 

Detetá-las é fácil e o seu veterinário pode explicar-lhe como preveni-las. Evite consequências mais graves com visitas frequentes à sua clínica veterinária.

Se se trata de uma afeção alérgica, devemos tratá-la o quanto antes para que não se transforme numa coisa mais grave e possa diminuir a qualidade de vida do nosso amigo.

Existem imensas causas que podem explicar este tipo de afeções que alteram o comportamento do cão: os conhecidos parasitas (pulgas, carraças, ácaros) e outras causas também bastante comuns, tais como o pólen, o pó, os medicamentos, o perfume, os produtos de limpeza, alguns alimentos, etc.

O veterinário poderá identificar ou descartar qualquer uma destas causas e colocar outras que sejam possíveis, já que um problema de pele na pelagem do seu cão significa, muitas vezes, muito mais do que aquilo que se vê. Na verdade, é possível que aquilo que se observe externamente tenha uma origem interna desencadeada por uma reação alérgica ante as proteínas inofensivas presentes no alimento.

Se acha que o seu cão pode sofrer de uma alergia alimentar, deve procurar reconhecer que alimentos são aqueles que desaencadeam o problema. Não siga os conselhos de qualquer pessoa e não se fie de tudo aquilo que lê na internet. Consulte sempre o seu veterinário!

Em muitos casos é possível encontrar uma solução nutricional adequada para os problemas dermatológicos do seu cão. Os nossos produtos especializados Royal Canin oferecem a nutrição mais adequada para cada caso.

 

DURANTE A MUDANÇA DE ESTAÇÃO… PRESTE ATENÇÃO! ALERGIAS E DOENÇAS PRIMAVERIS

A primavera já está aqui! Com ela chega o sol, os campos ficam verdes e aparece… algum visitante não desejado.

Agora que começa o bom tempo proteja o seu gato de doenças, alergias e parasitas habituais.

Parasitas externos

Apesar de poderem incomodar em qualquer época do ano, com o calor é normal que o nosso gato saia mais de casa para brincar na relva e interatuar com outros animais e, por isso, pode apanhar com maior facilidade pulgas, carraças e tinha.

  • Pulgas: não vai poder parar de se coçar e vai lamber-se com mais intensidade, o que pode produzir inflamação na pele, por coçar-se, e uma maior ingestão de pelo. Para além disso, são bastantes os casos de gatos que têm alergia à própia picadura das pulgas. Por isso, se o seu gato tem estes “clandestinos”, vai ter que tratá-lo com produtos adequados para ele. E não se esqueça do seu entorno! Especialmente onde dorme, já que aí podem haver ovos de pulgas e voltar a infestar-se.
  • Carraças: se o seu gato tem acesso ao exterior, repare no pescoço e nas orelhas, dado que costumam agarrar-se nestas zonas às quais ele não chega com facilidade quando se limpa. Apesar de incomodativas, são fáceis de eliminar com um tratamento específico, mas não fique parado, porque transmitem doenças muito graves.
  • Tinha: estes fungos microscópicos causam uma afeção dérmica muito resistente, estendida e contagiosa.

Alergias

Tal como as pessoas, os gatos também podem ter alergia: reação imunológica a uma determinada substância que não é nociva para outros indivíduos. Há muitas coisas comuns que podem produzir-lhe alergia ao nosso amigo, como vários perfumes ou produtos de limpeza, vários alimentos, além de outras causas específicas da primavera. Destas causas estacionais podemos destacar:

  • Pólen de várias plantas: nesta época do ano é quando existe mais quantidade de pólen no ambiente. Se o nosso gato é alérgico, na primavera irão acentuar-se os sintomas. Além disso, se tem acesso ao exterior, terá mais probabilidades de entrar em contacto com o pólen ao qual seja alérgico. Este tipo de alergias produzidas pela inalação de determinados elementos alérgenos podem provocar lesões na pele e um coçar intenso. Não se descuide e peça conselho ao seu veterinário o mais rápido possível!
  • Picaduras de pulga e produtos antipulgas: como já comentámos, as pulgas podem ocasionar com a sua picadura uma alergia no seu gato, irritando e inflamando a sua pele. Além disso, alguns produtos antipulgas podem causar-lhe também reação, razão pela qual lhe recomendamos que siga as indicações do fabricante e do veterinário. Também lhe recomendamos prevenir durante todo o ano as picaduras, ou bem com coleiras antiparasitas ou com pipetas.

Como saber se o seu gato tem alergia?

Há muitos tipos de alergia e, por isso, sintomas diferentes, motivo pelo qual deve prestar especial atenção se se coça muito, se a pele envermelhece, se lhe falta pelo, se tem a pele inflamada, se vomita ou tem diarreia. Nestes casos, leve-o ao veterinário para que lhe possa fazer as provas necessárias.

É muito usual que se a sua mascote tem um tipo de alergia, seja também mais sensível a outros alérgenos ou doenças. Quer estar tranquilo perante a chegada do bom tempo?

  • Fortalecendo o seu sistema imunitário com uma alimentação rica em antioxidantes e ácidos gordos da série omega 3 poderá ajudar as defesas do seu gato a manterem afastadas determinadas bactérias e certos vírus.
  • Prestando-lhe atenção à pelagem e ao comportamento do seu gato, poderá detetar a tempo problemas fruto de uma alergia e acudir à consulta veterinária para que, com o tratamento adequado, o seu gato desfrute ao máximo da primavera.

AS ALERGIAS E AS DOENÇAS PRIMAVERIS APARECEM DURANTE A MUDANÇA DE ESTAÇÃO… PRESTE ATENÇÃO!

Com a estreia da nova primavera chega o sol, os campos ficam verdes e aparece algum “visitante” não desejado.

Com a chegada do bom tempo proteja o seu cão dos parasitas, das alergias e doenças habituais.

Parasitas externos

Na verdade podem ser incomodativos durante todo o ano, mas com o calor é mais habitual que o nosso cão vá mais aos parques ou ao campo e interatue com outros cães, o que aumenta as probabilidades de apanhar pulgas e carraças. Também se pode contagiar de fungos tipo tinha.

 

  • Pulgas: produzem uma comichão intensa, motivo pelo qual não vai poder deixar de se coçar. Este coçar intenso pode produzir inflamação da pele, em casos extremos até podem criar-se feridas. Além disso, são bastantes os casos de cães que têm alergia à própria picada das pulgas. Por esta razão, quando o seu cão tenha estes “clandestinos”, vai ter que tratá-lo com produtos adequados para ele e recomendados pelo seu veterinário. Também não se deve esquecer do entorno, especialmente onde dorme, já que os ovos de pulga podem permanecer ativos durante meses e voltar a infestá-lo!
  • Carraças: transmitem doenças muito graves e alimentam-se de sangue, por isso é importante o tratamento o mais rápido possível. Para comprovar a sua presença, observe o pescoço e as orelhas do seu cão, já que aqui se notam com mais facilidade.
  • Tinha: é uma doença produzida por uns fungos microscópicos que causam uma afeção dérmica muito resistente e contagiosa. Ante qualquer calvície rara, vá ao veterinário!

Alergias

Tal como o ser humano, o cão também pode ter alergia, que é uma reação dos organismos perante uma substância que o sistema imunitário interpreta como nociva. Entre as substâncias comuns que podem produzir uma reação alérgica ao nosso cão estão os perfumes e os produtos de limpeza, mas também são frequentes as alergias ao pólen das plantas, assim como as picadas de insetos, sejam parasitas dele, como as pulgas, ou não, como por exemplo, as vespas.

  • Pólen das plantas: a primavera é a época do ano em que o ambiente tem mais quantidade de pólen. Se o seu cão é alérgico, na primavera vão acentuar-se os sintomas. Além disso, ao passar mais tempo no exterior tem mais probabilidades de entrar em contacto com o pólen das plantas que lhe provoquem alergia. Alguns cães têm uma forte tendência a padecer alergia que só afeta a pele e os veterinários chamam-lhe atopia. Em nenhum dos casos deve ficar parado, mas sim consultar o seu veterinário!
  • Picadas de pulga e produtos antipulgas: como já comentámos, as pulgas podem ocasionar com a picada uma alergia ao seu cão, irritando e inflamando a pele. Além disso, alguns produtos antipulgas também podem causar-lhe reação, motivo pelo qual lhe recomendamos que siga as indicações do veterinário. Também lhe recomendamos prevenir durante todo o ano as picadas, seja com coleiras antiparasitas ou com pipetas.

Como saber se o seu cão tem alergia?

Como há muitos tipos de alergia os sintomas são diferentes, mas deve estar atento ao aparecimento de comichão intensa e à falta de pelo nalguma zona do corpo. Também os vómitos e as diarreias podem ser sintoma de alergia, especialmente alimentar. Em qualquer destes casos, leve o seu cão ao veterinário para que lhe possa fazer as provas adequadas.

Quer estar tranquilo ante a chegada do bom tempo?

  • Uma alimentação rica em antioxidantes e ácidos gordos da série omega 3 fortalece o sistema imunitário e ajuda as defesas a manter afastados determinados vírus e bactérias.
  • Preste bem atenção à pelagem e se muda de comportamento para detetar a tempo transtornos causados por uma alergia, assim o seu veterinário pode dar-lhe o melhor tratamento e o seu cão pode desfrutar plenamente da primavera.

E depois do sopro: Será que o meu cão vai ter uma insuficiência cardíaca?

Como se detecta um sopro cardíaco?

A auscultação cardíaca é uma ferramenta fundamental na avaliação dos sons cardíacos e assim detectar os primeiros sinais de doença cardíaca. Assim sendo, a forma mais comum de detectar um sopro cardíaco é através da auscultação com um estetoscópio.

Frequentemente, os sopros cardíacos são detectados acidentalmente – isto é, são detectados sem que haja ainda qualquer sintoma de doença cardíaca.

Neste sentido, a auscultação é de extrema importância nas consultas e deve ser realizada em todas as ocasiões.

Como se distingue um sopro dos sons cardíacos normais?

Os sons cardíacos resultam da passagem do sangue através das câmaras cardíacas e dos grandes vasos, responsáveis pela circulação do sangue pelo organismo.

De uma forma breve, num coração saudável são audíveis dois sons principais – muitas vezes descritos como “lub-dub” – que correspondem ao encerramento das válvulas cardíacas e das válvulas dos grandes vasos sanguíneos.

Quando o sangue passa dos átrios para os ventrículos dá-se o encerramento das válvulas que separam estas duas câmaras (a Mitral e a Tricúspide), e é então auscultado o primeiro som cardíaco – “lub”. O segundo som audível, o “dub”, corresponde então ao encerramento das válvulas dos vasos que levam o sangue para fora do coração.

Estes sons repetem-se ao longo do ciclo cardíaco e permitem avaliar, numa primeira instância, a função cardiovascular.

Num coração saudável, estes sons cardíacos (“lub-dub”) são normalmente de curta duração. Os sopros, por outro lado, têm uma duração maior e podem ser auscultados em períodos do ciclo cardíaco que seriam normalmente silenciosos.

Como descrito, os sopros correspondem à passagem de sangue num sentido oposto ao fluxo sanguíneo, por falha no encerramento adequado das válvulas cardíacas.

Quando detectados, os sopros cardíacos são classificados consoante são auscultados durante a contracção cardíaca ou durante o relaxamento, consoante a sua localização e a sua intensidade.

Uma vez identificado um sopro cardíaco, mesmo na ausência de sinais clínicos de doença cardíaca, devem ser realizados exames complementares de diagnóstico. A radiografia torácica e a ecocardiografia permitem avaliar a morfologia cardíaca e garantir uma base de referência para avaliar a progressão da doença cardíaca. Estes exames também permitem adequar o tratamento necessário para retardar a evolução da doença.

De que forma ajudam as radiografias e a ecocardiografia no diagnóstico da doença da válvula mitral?

A radiografia torácica permite avaliar diversas características cardíacas, entre as quais a avaliação da dimensão do coração e das suas câmaras. O coração com um sopro causado por doença da válvula mitral pode, inicialmente, não ter qualquer alteração de tamanho. Com a progressão da condição, o coração tende a aumentar de tamanho, e diz-se então que há cardiomegália.

Avaliar se existe um aumento significativo no tamanho do coração é de extrema importância, uma vez que cães com doença da válvula mitral e com cardiomegália apresentam maior probabilidade de desenvolver insuficiência cardíaca congestiva num espaço de 12 a 24 meses, do que cães sem cardiomegália.

Diagnosticar cardiomegália permite assim fornecer um prognóstico sobre a condição dos pacientes e permite aos médicos veterinários desenhar um plano terapêutico apropriado.

Outra ferramenta igualmente útil, é a avaliação cardíaca através de ecografia. A ecocardiografia permite avaliar a morfologia e dimensão das câmaras cardíacas, a função das válvulas e o fluxo sanguíneo. Esta avaliação ecocardiográfica é útil para confirmação de cardiomegália e para o estadiamento da doença.

O diagnóstico e a avaliação da doença cardíaca pode ser, muitas vezes, desafiante. Por isso poderá ser necessário recorrer a um médico veterinário especialista em cardiologia.

Quando se deve iniciar a terapêutica?

Ao ser detectado um sopro cardíaco, depois de realizados os exames complementares de diagnóstico, deverá ser orientado um plano de tratamento.

Actualmente os estudos demonstram que é vantajoso iniciar terapêutica em cães com doença da válvula mitral e com cardiomegália confirmada, mesmo na ausência de sinais clínicos como intolerância ao exercício, tosse ou problemas respiratórios.

Animais nestas condições, dizem-se numa fase pré-clínica (anterior ao desenvolvimento de sinais clínicos). O objectivo de iniciar uma terapêutica nesta fase, é o de prolongar ao máximo o tempo de vida dos pacientes diagnosticados com doença degenerativa da válvula mitral.

Na verdade, com a medicação adequada, é possível retardar o aparecimento de sinais clínicos e prolongar o tempo de vida durante meses.

Assim, um diagnóstico atempado é fundamental!

Dado que é uma condição tão frequente, é de extrema importância realizar check ups regulares a todos os cães de maior idade, especialmente nos cães com predisposição conhecida para doença da válvula mitral.

Aos pacientes a quem já foram detectados sopros cardíacos, é recomendada a realização de exames complementares de diagnóstico. Estes exames devem ser repetidos de forma regular, para que seja possível acompanhar a evolução da doença e adaptar o tratamento.

Porque é que o meu cão tem um sopro cardíaco?

O QUE É UM SOPRO CARDÍACO?

O sopro cardíaco é um sintoma que se pode detetar à auscultação cardíaca durante um exame físico . Surge devido a fluxo de sangue de velocidade elevada e turbulento através das válvulas cardíacas.
Ocorre normalmente quando existe mau funcionamento das válvulas cardíacas e das grandes artérias. Mas também pode ocorrer devido a defeitos congénitos do coração, dilatação cardíaca ou mesmo em situações sem patologia cardíaca (p.ex. anemia).

O coração é composto por 4 cavidades: o átrio esquerdo, o átrio direito, o ventrículo esquerdo e o ventrículo direito. O coração contém 4 válvulas: a válvula mitral, a válvula tricúspide, a válvula aórtica e a válvula pulmonar.

As válvulas são compostas por umas estruturas em folha finas que se fecham quando o coração se contrai, evitando o retrocesso do sangue. Elas abrem quando o coração relaxa, fazendo com que o fluxo sanguíneo se faça num sentido único.

O mau funcionamento valvular pode dever-se a problemas de desenvolvimento ou a patologias adquiridas ao longo da vida do animal. Ao haver obstrução ao normal fluxo sanguíneo ou incorrecto encerramento das válvulas cardíacas, surge um sopro.

Muitas são as doenças que podem levar ao desenvolvimento de sopros cardíacos, entre as quais se destaca a Doença da Válvula Mitral – a causa mais importante e frequente de doença cardíaca nos cães.

O QUE É A DOENÇA DA VÁLVULA MITRAL?

A Doença degenerativa da válvula mitral, também chamada Doença Mixomatosa da Válvula Mitral (DMVM) é a doença cardíaca que mais afecta os cães.

Como a progressão da doença é lenta, o período em que os cães afetados não mostram sintomas é normalmente longo.

Sabe-se que a doença afecta mais frequentemente cães machos de meia idade e idosos e tem maior incidência nas raças pequenas.

HÁ ALGUMA PREDISPOSIÇÃO ESPECIAL DE ALGUMAS RAÇAS?

Algumas raças são particularmente predispostas a esta doença. As raças mais afectadas são:
* Cavalier King Charles Spaniel (nesta raça existe hereditariedade genética desta patologia)
* Caniche
* Whippet
* Yorkshire Terrier
* Chihuahua
* Shih-Tzu
* Schnauzer miniatura
* Teckel

Existem também raças de maior porte afectadas com alguma frequência, como o Border Collie e o Pastor Alemão.

A doença é tão comum que existem estudos que apontam que 3% de todos os cães que vão ao veterinário para uma consulta de rotina (p.ex. vacinação) tenham esta patologia. Ou seja, os tutores não notam qualquer alteração no estado geral do cão e no exame físico não se detectam sinais de insuficiência cardíaca. No entanto, quando o veterinário ausculta o cão, é detectado um sopro cardíaco.

O QUE CAUSA A DOENÇA DA VÁLVULA MITRAL?

A válvula mitral separa as duas câmaras cardíacas esquerdas do coração. O átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. Nos animais com DMVM, o tecido que constitui a válvula mitral fica alterado, degenera-se.
Isto leva a que a válvula se vá tornando mais espessa e irregular. Esta alteração da válvula faz com que, de cada vez que o coração contrai, a válvula não fecha corretamente. Esta válvula tem uma função muito importante, impedindo que o sangue que sai do ventrículo esquerdo para o corpo todo, faça refluxo para o átrio esquerdo de onde veio. O sangue no interior do coração flui dos átrios para os ventrículos.

Nos animais, com DMVM, há uma porção de sangue que volta “para trás”, do ventrículo para o átrio. Esta regurgitação provoca uma turbulência que é audível à auscultação com estetoscópio. É o som desta turbulência que constitui o sopro.

À medida que a doença progride, o coração vai-se dilatando e vão surgindo sintomas de insuficiência cardíaca congestiva.

É uma doença crónica de progressão lenta que não tem cura, por isso os tratamentos que existem servem sobretudo para retardar a doença, prolongando o tempo de vida dos pacientes.